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28 de Maio de 2020

Sérgio Moro Realmente tem uma prova contra Bolsonaro?

Uma breve reflexão sobre as acusações do Ex-ministro Da Justiça.

Raphael Corrêa, Advogado
Publicado por Raphael Corrêa
mês passado

É Sério que o Ex-ministro Sérgio Moro apresentou este Factóide como se fosse uma Prova, aparentemente "marretando" a Técnica do Explanacionismo, que supostamente utilizou para validar Provas na Operação Lava-jato quando era Juiz, para forçar a barra da ocorrência de um Crime de comum, como o de obstrução de investigações, localizado no artigo 2º, parágrafo 1º, da Lei das Organizações Criminosas (Lei 12.850/2013), e o Crime de Responsabilidade do artigo 85 da CF/88 e artigo da Lei dos Crimes de Responsabilidade (Lei 1.079/1950)?

Digo "marretando", pois para encaixar o Fato em uma das hipóteses de validação da Prova nesta Técnica, ele passou a impressão de usar dois Estratagemas erísticos Clássicos de Schopehauer conhecidos por: "Argumento ad auditores" e "mudança de modo".

Ora, uma afirmação de Prova de Fato tido como criminoso, tem que, obrigatóriamente, ser incapaz de ter outra explicação de sua manifestação, enquanto incidência em outra hipótese de Realidade.

Eu consigo formular facilmente três tipos de hipóteses diferentes para está mesma Evidência:

• Bolsonaro está preocupado em saber se há uma possível inconstitucionalidade em uma investigação realizada por um Diretor nomeado por ele, que deveria lhe reportar um relatório esclarecendo a questão, já que ninguém é obrigado a cumprir ordem absurda ou manifestamente ilegal, mesmo que emanada de um Juiz;

• Bolsonaro está preocupado com o possível vazamento de informações, que supostamente deveriam estar sob sigilo e Responsabilidade de um Diretor nomeado por ele, e que ele não tem a mínima idéia se a ilegalidade está ocorrendo ou não, pela ausência de Relatórios reportados a ele;

• Bolsonaro está preocupado com uma possível perseguição Política contra ele, terceiros ou apoiadores, que foram nomeados por ele, já que não recebe relatórios sobre a imparcialidade da PF, de seu homem de confiança, também nomeado por ele;

• Nenhuma das respostas anteriores e uma quarta hipótese, que não tive saco para pensar...

🇧🇷

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Em primeiro lugar, Moro não apresentou prova (iniciando com minúscula mesmo) de fato criminoso. Foi um jornal que apresentou um print de uma suposta conversa pelo WhatsApp entre Moro e o presidente. Isso seria uma evidência. Prova é a evidência submetida ao contraditório e à ampla defesa e que emerge incólume do devido processo legal. Se apresentar defeitos, a evidência não é prova. No caso concreto, e de início, o telefone celular de Moro deve ser submetido a uma perícia oficial.
Segundo a Erística de Schopenhauer, o argumento ad auditores é um estratagema utilizado quando uma pessoa culta discute com um auditório inculto. Nesse estratagema, “se não dispomos de nenhum agumentum ad rem e nem mesmo um ad hominem, formulamos um ad auditores, isto é, uma objeção inválida, mas cuja invalidade só um conhecedor do assunto pode captar. E, ainda que o adversário seja um conhecedor do assunto, não o são os ouvintes. Aos olhos destes, ele estará derrotado, tanto mais se nossa objeção conseguir que sua afirmação apareça, de algum modo, sob um aspecto ridículo.” (Como vencer um debate sem precisar ter razão em 38 estratagemas. Topbooks, 1997, p. 158).
Mas qual objeção inválida foi apresentada por Moro? Nenhuma! Ele afirmou que Bolsonaro intentou interferir na Polícia Federal. O diálogo divulgado seria uma evidência, não uma objeção. Além disso, Moro, na sua coletiva à imprensa, não disse nada a respeito da finalidade da interferência. Mas devemos reconhecer que o diálogo contido no print do WhatsApp, se verdadeiro, demonstraria que o próprio Bolsonaro teria justificado uma das razões para a mudança no comando da PF: o inquérito do STF teria chegado a deputados bolsonaristas.
Quem levanta objeção a esse motivo é o articulista. Ele procura demonstrar que a “prova” apresentada por Moro não é prova, mas um “factóide”. E qual o fundamento?
O autor adota como premissa que uma afirmação de prova de fato tido como criminoso tem que, obrigatoriamente, ser incapaz de ter outra explicação de sua manifestação. Ou seja, se houver outra explicação verossímil para o diálogo apresentado, então a prova se desfaz. Pelo que entendi, a conversa no WhatsApp é a evidência, para a qual há várias explicações.
Todavia, as três hipóteses de explicações aventadas pelo autor, pelo menos até o momento em que ele teve “saco” (sic) para argumentar, acabarim por corroborar a afirmação de Moro quanto à interferência indevida na PF.
Vejamos.
Moro disse que Bolsonaro intentou interferir nas atividades investigatórias da Polícia Federal. Não disse para qual finalidade. Supostamente apresentou a um jornal prints de conversas com o presidente em que este, diante de uma notícia sobre resultados de uma investigação conduzida pelo STF que teria como alvos deputados bolsonaristas, argumentou que esse seria mais um motivo para a substituição do Diretor-Geral da Polícia Federal. Dito de outro modo, o presidente queria trocar o comando da PF porque o inquérito presidido pelo min. Alexandre de Moraes tinha como alvo deputados bolsonaristas.
O autor apresenta então três hipóteses diferentes para a situação retratada na conversa. Vamos a elas.
1) Bolsonaro está preocupado com possível inconstitucionalidade em uma investigação conduzida por um Diretor nomeado por ele. O Diretor deveria apresentar um relatório esclarecendo a questão, pois ninguém é obrigado a cumprir ordem absurda ou manifestamente ilegal, mesmo que emanada de um juiz.
O Diretor-Geral da PF não estava e não está conduzindo uma investigação. Ele não tem atribuição de conduzir investigação policial. Isso é atribuição de delegado da PF.
A investigação, e isso é fato incontroverso, está sendo conduzida por um ministro do STF no bojo de um inquérito instaurado pelo presidente da Corte Suprema.
Se o presidente da República tem preocupação com eventual inconstitucionalidade do inquérito, deveria agir nos moldes legais, acionado o Advogado-Geral da União para que esse questionasse a decisão de instauração no foro adequado, qual seja, o próprio STF. Aliás, ordem absurda ou manifestamente ilegal se combate com meios judiciais. Não faz sentido algum questionar o Diretor-Geral da PF. Além disso, qual a inconstitucionalidade no fato de delegados federais estarem atuando no inquérito instaurado pelo STF?
2) Bolsonaro está preocupado com o possível vazamento de informações sigilosas que estariam sob a responsabilidade de um Diretor nomeado por ele, e diante da ausência de relatório sobre o fato, não tem informações sobre a existência da ilegalidade.
É a mesma situação. O Diretor-Geral do DPF não era responsável por nenhum inquérito policial e não tem competência para requerer informações sobre investigação conduzida sob sigilo. Se houve vazamentos, o presidente deveria questionar o min. Alexandre de Moraes.
3) Bolsonaro está preocupado com uma possível perseguição política contra ele, terceiros ou apoiadores, que foram nomeados por ele, já que não recebe relatórios sobre a imparcialidade da PF, de seu homem de confiança, também nomeado por ele;
Essa é a hipótese que, nas circunstâncias fáticas, se mostra a mais verossímil com o contexto em que a narrativa de Moro se encaixa.
O print da conversa tem como epicentro a notícia de que deputados bolsonaristas seriam alvos do inquérito presidido pelo ministro do STF Alexandre de Moraes sobre fake news. Ou seja, apoiadores de Bolsonaro estariam sofrendo perseguição política. Pelo fato de o presidente não receber relatórios sobre a imparcialidade da PF da parte do Diretor-Geral da PF, ele, o presidente, estaria preocupado.
Todas essas hipóteses acabam por confirmar a narrativa do ex-ministro Sérgio Moro. A bem da verdade, Jair Bolsonaro, na condição de presidente da República, convocou seus ministros para uma manifestação à imprensa, onde – ora, vejam – acabou por confirmar que tinha interesse em investigações a cargo da Polícia Federal. Aquele episódio envolvendo o filho “04” se mostra mais claramente como uma conduta indevida. O fato de o “04” ter supostamente namorado a filha do suspeito de ter participado do assassinato da vereadora Mariele não é conduta tipificada como crime federal apta a atrair a atuação da Polícia Federal. Bolsonaro, em tese, teria se valido do cargo para cuidar de interesse particular mediante o emprego de servidores federais.
Todas as hipóteses aventadas pelo articulista reclamam uma atuação oficial e sob o manto da legalidade por parte do presidente da República. Se ele suspeita de ilegalidades na atuação de seus subordinados, deve determinar a investigação adequada ou encaminhar denúncia ao Ministério Público Federal, mas mediante documento oficial, único meio capaz de garantir o controle da legalidade do ato. Jamais mediante contatos telefônicos ou em conversas informais pelo WhatsApp.
Convenhamos, se o autor se dispõe a levantar objeções à conduta do ex-ministro Sério Moro no caso em questão, então deve convencer o auditório, no caso, os jusbrasileiros. Mas infelizmente, ele acabou usando o estratagema ad auditores imputado a Sérgio Moro. Ele se mostra culto para um auditório inculto, e levanta uma objeção inválida, mas cuja invalidade só um conhecedor do assunto pode captar.
Em suma: qual argumento inválido foi apresentado por Moro? A conversa no WhatsApp? Mas quem aceita a validade da conversa deverá aceitar que o argumento pela troca na PF foi apresentado pelo presidente Bolsonaro, não pelo ex-ministro Sérgio Moro. Como diz o ditado popular, o peixe morre pela boca.
Bom, eu não sou conhecedor profundo da tipificação dos tipos penais aventados ao fato narrado, mas procuro analisar criticamente as premissas apresentadas na discussão.
A conclusão que chego, e com fundamento na mesma Eurística de Schopenhauer, é que as rês hipóteses apresentadas pelo autor seriam um exemplo do estratagema da manipulação semântica que faz parte do repertório de Schopenhauer. Ele atribui ao Diretor-Geral da PF atos emanados do min. Alexandre de Moraes.
Poderiam constituir também o estratagema da alternativa forçada. “Para que o adversário aceite uma tese, devemos apresentar-lhe também a contrária e deixar que ele escolha, ressaltando essa oposição com estridência, de modo que ele, se não quiser ser contraditório, tenha de se decidir pela nossa tese que, em comparação à outra, se mostra muito mais provável.”
Como ouvinte nesse auditório do Jusbrasil, minha opinião é que o articulista não convenceu quanto ao tal “factóide” de Moro. Antes, suas hipóteses corroboram condutas, em abstrato, inadequadas para um presidente da República. continuar lendo

Isto é um Relatório que foi encaminhado a alguém?

Se for, vamos terminá-lo:

A convicção da Prova não é monopólio exclusivo do devido Processo legal. É também da Engenharia Social, da Religião, da Filosofia, da Mídia, da Ciêntifica, etc...E a submissão ao contraditório e ampla também não é o único método de crivo da prova. Existem outros métodos de extração da prova, como através da Probabilidade total, Teorema de Bayes, Explanacionismo, Dialética Erística, Crença, Lógica Matemática, Método Socrático, etc...

A Evidência, aludida pelo Sr. neste evento, tem que ser uma certeza sem provas objetivas!

Não dá para chamar de Evidência, a apresentação de um Fenômeno através do uso de algum Estratagema, que na verdade maquea um mero acontecimento visualizado, cuja a situação reveladora, que deveria ser manifestada sobre a forma de indícios, não é suficiente para determinar a ocorrência de uma afirmação ou objeção.

E acredito que Moro sabe exatamente o que é uma Evidência e como ela se desenvolve no mundo das ideias...

Ele não tem uma Evidência!

Ele tem um mero registro de um Episódio.

Não houve dados retornados do horizonte de eventos Observável, que permita sequer, a formação de uma cognição sumária a respeito.

E ao ser exigida pela Globo uma PROVA, Moro, não se furtou a não apresentá-la, que não fosse desta maneira, sob este requisito de FORMA de prova, do contrário, se omitiria de tal apresentação ou exposição, ou, esclareceria sua real natureza posteriormente a reportagem, da mesma FORMA e técnica com que inicialmente as apresentou, de modo que o seu entendimento fosse acessível ao homem médio, não deixando a terceiros, o protagonismo da afirmação do que eram aqueles prints.

Desta forma, permite-se concluir que Moro orientou o curso da impressão da realidade que portava, de modo a direcionar sua interpretação, de forma tendenciosa, através da opinião pública, via sua exibição nos canais de divulgação da oposição.

Quanto a obrigatoriedade do Presidente buscar socorro na AGU ou MPF, caso acredite que está ocorrendo alguma inconstitucionalidade na PF, porque ele deveria implementar está burocracia altamente desnecessária, e demorada, se ele pode simplesmente trocar o Diretor da PF e esgotar com eficiência o problema?

Isto é Executivo meu caro, não o Judiciário!

São modus operandis distintos!

Não há exclusivamente ou obrigatoriamente a via judicial como única solução, como demostrado neste trecho de sua Antítese:

"Aliás, ordem absurda ou manifestamente ilegal se combate com meios judiciais.".

Aliás, este trecho evidência o uso do Estratagema erístico XXX por sua parte.

Usaste também do Estratagemas erístico XXX neste trecho abaixo, pelo conhecimento Jurídico que Aparenta possuir, é supostamente impossível que tenha interpretado erroneamente minha segunda hipótese:

"O Diretor-Geral do DPF não era responsável por nenhum inquérito policial e não tem competência para requerer informações sobre investigação conduzida sob sigilo. Se houve vazamentos, o presidente deveria questionar o min. Alexandre de Moraes."

Pois é aparentemente impossível que não saiba, que é óbvio que o Diretor da DPF (cargo de confiança) não pode interferir ou revelar investigações, sob pena de macular o "persecutionis criminis", mas tem o dever, de informar ao Presidente, se ela está ocorrendo legalmente, sob pena de atentar contra a confiança depositada pelo presidente ao nomea-lo para a função.

Porque o Presidente tem que perguntar ao Judiciário (STF) sobre atos quem ocorrem em seu quintal, que era obrigação de seus subalternos, lhe revelar?

Onde Existe está obrigatoriedade?

Cadê a Tripartição de Poderes?

Quanto as ilações sobre o filho "04", usaste do Estratagema erístico XXX para dar-lhe uma aparência de verdade na afirmação, o que evidência o tendenciosismo da questão, o que valida a hipótese de ser mais um Sofisma criado pela Esquerda.

Mais absurdo ainda é o Sr. Defender no trecho abaixo em outro Estratagema erístico do tipo XXX:

"Jamais mediante contatos telefônicos ou em conversas informais pelo WhatsApp.".

A lei é secular, e permite do uso de cartas, telégrafos e até sinal de fumaça ou de luz (entre embarcações) o despacho administrativo.

Não irá permite também o indo de whatsapp ou Facebook?

Quanto ao meu suposto uso de "manipulação semântica" e "alternativa forçada" aludido, percebo que houve um Fenômeno Psicológico manifestado pelo Sr., Chamado de "Projeção", visto o fato de ter usado estes Estratagemas não só uma vez, mas pelo menos, duas ou três vezes, senão até mais, de forma brilhantemente combinada e até fundida, onde observo o uso, através do anacronismo "XXX".

Só não posso afirmar se as utilizou de forma consciênte ou não, mais fica aqui minha observação...

Sua Antítese não me Convenceu! continuar lendo

A resposta ao Dr. Raphael.

Caro Dr. Raphael. Não é um relatório que foi encaminhado a alguém. É uma análise ponto a ponto de seu artigo. Parti do pressuposto que sua análise possa ser refutada.

Se o senhor fala em prova em outro contexto fora do processo penal, então deveria ter indicado seu critério. É uma questão de honestidade intelectual. Como o senhor mencionou dispositivo do código penal e da lei de responsabilidade, deduzi que se tratava de crime. Por isso que mencionei evidência nesse contexto. Já que aprecia tanto os estratagemas eurísticos, pode-se dizer que o senhor fugiu do específico (seara penal) para o geral (engenharia social, religião, filosofia, mídia, ciência, etc.). É o estratagema 19 de Schopenhauer. Como se sabe, são utilizados para tentar ganhar um debate sem ter razão.

Se a apresentação de um fenômeno através de uso de um estratagema que maquia (não é maquea) um acontecimento visualizado (deduzo que esteja se referindo ao print da mensagem do Whatsapp) não é suficiente para determinar a ocorrência de uma afirmação ou objeção, por que o senhor afirma que é um factóide? O que lhe é permitido não o é para os demais que participam do debate?

Se Moro tem um mero registro de um episódio, então por qual razão o senhor diz que não é prova?! Ele não afirmou que era um prova. O termo “prova” foi apresentado ao debate pelo senhor. Há uma contradição no seu discurso.

O parágrafo “E ao ser exigida pela Globo uma PROVA (...) do que eram aqueles prints” é confuso. Permanecendo no campo da eurística, pode-se identificar o estratagema 36, o discurso incompreensível.

O senhor argumenta que a mensagem publicada dá curso a várias interpretações. A sua conclui que é um factóide, o que lhe é lícito arguir. Mas parece pretender que seja a única.

Quanto a tal inconstitucionalidade na PF, é perda de tempo debater esse – aí, sim – factóide. No contexto dos fatos em que se situa o debate, o que o mundo jurídico aponta é a inconstitucionalidade do inquérito instaurado pelo presidente do STF. É esse inquérito que preocupa Bolsonaro porque teria como alvo parlamentares bolsonaristas. Esse é o contexto que emerge no print da conversa veiculado “nos canais de divulgação da oposição” (sic). Dito isso, tomo a liberdade para parafraseá-lo e dizer: O STF é o Judiciário, meu caro, não o Executivo! A hipótese aventada pelo senhor de inconstitucionalidade na PF é um estratagema do espantalho.

Analiso agora sua assertiva quanto à exclusividade da via judicial como única solução para a inconstitucionalidade. O senhor diz que a via judicial não é exclusiva ou obrigatória, e cita trecho de minha “antítese” como exemplo. Ora, eu não apresentei uma alternativa à via judicial. Eu disse que ordem absurda ou manifestamente ilegal se combate com meios judiciais. Eu não apontei outros meios. Então seu argumento está de cabeça para baixo. E menciona que usei o estratagema eurístico “XXX”, como se repete ao longo de sua explanação. Esqueceu de consultar o manual de Schopenhauer.

E comete o mesmo esquecimento logo depois, afirmando que usei outro estratagema “XXX” quando comento sua segunda hipótese. Em resuma, ela aventa a hipótese de Bolsonaro estar preocupado com o vazamento de informações que deveriam estar sob sigilo e responsabilidade de um Diretor nomeado por ele. Eu afirmei que o Diretor-Geral da PF não é responsável por nenhum inquérito e não tem competência para requerer informações sobre investigação conduzida sob sigilo.

Agora o senhor argumenta que “é óbvio que o Diretor da PF (...) não pode interferir ou revelar informações, sob pena de macular o “persecutionis criminis”, mas tem o dever de informar o Presidente se ele está ocorrendo legalmente.

De início, é preciso destacar que não afirmei que o Diretor-Geral não pode interferir ou revelar informações. Eu disse que ele não pode requerer informações de investigação conduzida sob sigilo. São coisas diferentes. Cuidado com a manipulação semântica! Portanto, não há obviedade na sua assertiva. A menos que tenha confundido o raciocínio e tenha, na verdade, pretendido dizer que é obvio que o Diretor não pode requerer informações de um inquérito sigiloso.

Ainda assim, a sua refutação carrega uma contradição evidente. Se o senhor afirma que o Diretor-Geral não pode revelar informações, como seria possível ele comunicar ao Presidente que o “persecutionis criminis” está ocorrendo com ilegalidades? Podemos imaginar que o presidente irá perguntar que ilegalidades são essas, ao que o Diretor-Geral responderá que não pode revelar as informações. Se o Diretor-Geral não pode revelar informações de um inquérito sigiloso, de que modo o presidente irá saber o que ocorre no seu “quintal” a cargo de seus subalternos? Afinal, o subalterno Diretor-Geral da PF está proibido de revelar informações de um inquérito sigiloso ou não?

Nesse mesmo contexto, há uma distorção na sua pergunta argumentativa seguinte, qual seja, por que o presidente tem que perguntar ao STF sobre atos que ocorrem no seu quintal?

Bom, vamos pôr as coisas no seu devido lugar.

O inquérito que está no centro do debate é aquele instaurado pelo presidente do STF. É quintal do Judiciário, não do Executivo. Então devemos obedecer a Tripartição dos Poderes.

No que diz respeito ao filho “04”, foi o próprio Bolsonaro que revelou o fato ao País. Não é um sofisma criado pela esquerda. Além disso, qual é afinal o estratagema “XXX” nesse caso?

Acerca do absurdo de eu argumentar que eventuais ilegalidades na atuação da PF devam ser objeto de pedidos de providências por meios oficiais, e não por conversas de WhatsApp, no qual o senhor identifica o estratagema eurístico “XXX”, dizendo ainda que a lei é secular (?!), e que o despacho administrativo pode ser feito de qualquer modo (até por sinal de fumaça), tenho a dizer que seus argumentos são pueris. Me mostre um despacho administrativo do presidente feito pelo WhatsApp ou Facebook que tenha validade jurídica e poderemos então discutir a matéria.

Agora, a cereja do bolo.

O recurso aos estratagemas euristicos clássicos de Schopenhauer foi escolha sua, Dr. Rapahel. É como demonstro: “Digo "marretando", pois para encaixar o Fato em uma das hipóteses de validação da Prova nesta Técnica, ele passou a impressão de usar dois Estratagemas erísticos Clássicos de Schopehauer conhecidos por: "Argumento ad auditores" e "mudança de modo".”

Por qual razão, agora, o senhor resolve interditar o uso dos mesmos instrumentos de argumentação por parte do seu oponente? Não esqueçamos que o manual de Schopenhauer mostra como ganhar um debate sem ter razão. Então, apontar os estratagemas é mostrar a falta de razão de argumentos.

Convém mencionar as lições de Chaïm Perelman em sua obra Tratado de Argumentação: a nova retórica. Na parte em que ele aborda a questão do acordo do auditório, ele diz:
“Com efeito, tanto o desenvolvimento como o ponto de partida da argumentação pressupõem
acordo do auditório. Esse acordo tem por objeto ora o conteúdo das premissas explícitas, ora as ligações particulares utilizadas, ora a forma de servir-se dessas ligações; do princípio ao fim, a análise da argumentação versa sobre o que é presumidamente admitido pelos ouvintes”.

Ora, se o senhor trouxe ao auditório do Jusbrail o uso dos estratagemas de Shopenhauer como premissas do método argumentativo, devemos partir do princípio que que o senhor espera que esse método seja admitido pelo ouvintes, tanto quanto por quem se dispõe a debater suas teses. Calha bem a sabedoria popular: pau que bate em Chico, bate em Francisco.

Foi por aceitar os critérios escolhidos pelo senhor que fiz uso dos mesmos recursos. Por isso, mostra-se absurdo que o senhor pretenda interditar o uso dos seus métodos de argumentação por parte de quem se disponha a contestá-lo. Isso não é postura de um bom debatedor. Essa é a contradição mais objetiva e evidente que permeia seu discurso.

Por conta disso, mostra-se de um ridículo atroz imputar a mim o fenômeno psicológico da “projeção” pelo fato de usar os mesmos recursos usados pelo senhor. Aliás, sua refutação aos meus comentários está permeada de estratagemas “XXX” (falha que reputo mais ao esquecimento de revisar o texto consultando o manual de Schopenhauer do que propriamente desonestidade intelectual). E claro, o seu uso de estratagemas eurísticos não tem a ver com projeção. Mostra apenas sua erudição. Projeção é quando outro ousa usá-las sem a sua erudição.

Aliás, não ficou claro qual a relação entre o estado psicológico da projeção com o uso de estratagemas eurísticos.

Por fim, devo dizer que diagnosticar em mim a projeção psicológica nada mais é do que o uso do recurso ad persona. Este é o estratagema 38 (o último) de Schopenhauer. Eis um trecho:

“Quando percebemos que o adversário é superior e que acabará por não nos dar razão, então nos tornarmos pessoalmente ofensivos, insultuosos, grosseiros. O uso das ofensas pessoais consiste em sair do objeto da discussão (já que a partida está perdida) e passar ao contendor, atacando. Isto poderia chamar-se argumentum ad persona, para distingui-lo do argumentum ad homimem.”

Schopenhauer dá o antídoto para esse artifício:

“O único contra-ataque seguro é, portanto, a que já Aristóteles indicava no último capítulo dos Tópicos: não entrar em controvérsia com qualquer um que se chegue, mas só com aqueles que conhecemos e dos quais sabemos que têm inteligência suficiente para não propor coisas absurdas que levem ao ridículo, (...).

Bom, vou seguir o conselho de Aristóteles.

Minhas respeitosas saudações, Dr. Raphael. continuar lendo

Dr. Já perdeu o debate!
Impossível ser tão Inocente e não saber que não existe verdade absoluta.

Toda a verdade é senão uma aparência de verdade, segundo Nietzsche, Descartes, Sartre e mais arcaicamente Platão, Cícero, etc...

Como fonte Simplificada cito o Livro Mundo de Sofia de 547 páginas se não me engano...

Se quiser algo mais específico, a clássica coleção Pensadores pode te ajudar...

A busca pela convicção do que deve ser aceito como Justo e Perfeito passa pelo processo inquisitivo.

E o inquérito, TB chamado de Inquisição é o que vulgarmente chamamos de prova!

A prova caso o Sr. não se lembre, é um procedimento de coleta de dados (TB chamado de indícios) que após processados sob métodos rigorosos de prova, geram, são a Informação. Ou seja, Prova é Informação! E a Informação, após ser submetida a Decisão gera o Conhecimento.

Num concurso público a decisão que gera o Conhecimento é a aptidão ou inaptidão.

No Processo Judicial é a Resolução com ou sem Mérito.

Os métodos rigorosos de prova como a que observamos em concursos por exemplo, são sempre carregados de pegadinhas e armadilhas para testar a apitdão do concurseiro...

E não raro, nestas provas Schopehauer reina absuloto na busca pela verdade.

Veja, que o uso de Schopehauer tem por fim por exemplo, alcançar tanto no processo seletivo, como no processo judicial a verdade...

Mas também pode ser usado para criar Sofismas, como por exemplo, nas inquisições midiáticas...

Enfim, eu usei sim Estratagemas de Dialética Erística de Arthur Schopehauer para extrair a aparência de verdade por detrás da cortina de fumaça cinzenta em que se reveste suas atitudes...

E o conhecimento gerado após gerar a Informação através da coleta de dados a que o Sr. Se submeteu, ao adentrar a minha prova, me concebeu a convicção (conhecimento) exauriente de que estou suficientemente certo, apta a ensejar está tomada de Decisão de te responder!

Minhas mais estimadas saudações Dr.,

Valeu a sua tentativa...

Abraços! continuar lendo

Calma Dr.!

Caso não tenha percebido ainda, A Dialética Erística de e Arthur Schopenhauer, não tem por único e exclusivo objetivo vencer um debate sem ter razão...

Ela também tem o objetivo de vencer um debate através da obtenção da razão.

E ela também não se aplica somente sozinha, mas pode ser aplicada misturando, mesclando, fundindo, simultaneamente, propositalmente os estratagemas, para se obter o efeito necessário buscado.

Não costumo ser extensivo na Síntese como eu fui nesta ultima; salvo se quiser iniciar uma nova Tese, quando desconfio do interlocutor!

O Sr. Demonstrou grande Inteligência e Conhecimento para ser tão Extensivo em sua Antítese.

Como dizia a grande inspiração de Schopenhauer, Baltazar Grancian, em sua Obra a Arte da Sabedoria, editora: Faro Editorial, ano:2018 Parte 5, aforismo 27, página 115: “ Não canse pela abundância, agrade ao ser breve” e “é verdade reconhecida que o homem de grande verborragia raras vezes é sábio”.

Então, partindo desta impressão contraditória que tive a vosso respeito, tomei por bem, te testar com Estratagemas em busca da verdade, seguindo os conselhos de Grancian, Parte 4, aforismo 2, página 84: “combine sempre sabedoria, conhecimento e esforço”, já que também na Parte 4, aforismo 29, página 93 Grancian aconselha: “Descubra os defeitos dos outros, mesmo os dissimulados”.
Bibliografia de Shopewauher: 38 estratégia para vencer qualquer debate, A arte de ter razão, também da Faro Editorial, de 2014.

Comecei com um misto de Estratégia 4, página 54: “Prepare o caminho, mas oculte a conclusão” com a Estratégia 9, página 62: “Disfarce seu objetivo final”, inspirado pela Parte 3, aforismo 38, página 59 da Arte da Sabedoria de Grancian: “mantenha em segredo alguns truques de sua arte”.

Por exemplo: “Isto é um Relatório que foi encaminhado a alguém?”, foi a mistura suave da estratégia 27, página 87 : “ Deixe o seu oponente desequilibrado” com um pouco da estratégia 38, página 113: “Como último recurso, parta para o ataque pessoal”, com o objetivo de testar, juntamente com o Sofisma da Projeção, sua reação, de modo a perceber algum indício de necessidade de auto afirmação atípicos, de características, excessivamente egocêntricas, o que não percebi...

O erro de português que identificou “maquea”, foi só um dos erros que deixei de propósito, como alguns de concordância e locução, para testar se possuía alguma insegurança, via excessivo reforço negativo do superego do mecanismo de defesa neurótico, o que justificaria sua excessiva verborragia, pois normalmente, só partimos para o “Retorsio Argumenti” (Estratégia 26, página 86), de modo tão insignificante como na abordagem destes erro gramatical, quando emulamos este padrão de personalidade, o que afasta a possibilidade de está criando um sofisma extensivo com fins a me pegar em alguma abstração a lá “Ampliação Indevida” (Estratégia 1, página 45) , por mais que tenha ou não alguma simpatia política pelo Moro.

Também fez parte deste inquérito a Estratégia do “XXX”!

Sim, é um “Ad Hominen” (Estratégia 16, página 72), mas com fins a descobrir se o Sr. havia entrado neste debate com as boas intenções que se encaixem numas das premissas mais importantes de Grancian: Parte 5, aforismo 12, página 109: “Compre uma briga, se necessário, mas em boa lide e com ética”.

Desta forma, indo direito ao assunto, mesmo tendo realizado outros testes, na minha síntese, para determinar seu padrão de personalidade, pois já estou satisfeito com a impressão que tive ao seu respeito; tenho que buscar ser o menos extensivo possível:

Moro apresentou o episódio como uma prova de uma evidência usando o “argumento ad auditores” (Estratégia 28, página 88) e “mudança de modo” (Estratégia 3, página 51) por quê?

Porque a mistura destes dois estratagemas gera a “Distinção de Emergência” (Estratégia 17: página 74).

Ou seja, ele vendeu para a Mídia um Estratagema de dupla interpretação do fenômeno sem embasamento ou materialidade, sob a ótica que mencionei na Síntese: “A convicção da Prova não é monopólio exclusivo do devido Processo legal. É também da Engenharia Social, da Religião, da Filosofia, da Mídia, da Ciêntifica, etc..”; que ficaria ao bel prazer do comprador, escolher qual método de interpretação lhe seria mais apropriado, para reforçar seu pensamento motivado, bem como, influenciar a opinião pública.

E até agora, Moro, não se desincumbiu em desfazer o “mal entendido”, já que a Mídia e a Política trabalham este sofisma a todo vapor, menos o STF, que já disse que estes Prints pobres de WhatSapp, não são prova apta a ensejar ação alguma.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/política/2020/04/27/stf-avalia-ainda-nao-haver-provas-robustas-contra-bolsonaro.

Minhas Saudações Também Doutor, e obrigado pelo Debate de alto nível! continuar lendo

Calma, Dr. Não corra o risco de passar pelo ridículo com tamanho besteirol.

Vamos lá.

Segundo sua sabedoria, a Dialética Erística de Schopenhauer “também tem o objetivo de vencer um debate através da obtenção da razão.”

Discordo.

A par a natural recusa em prestigiar condutas enganosas, valho-me dos ensinos do Doutor e Mestre em Ciências Jurídico-Políticas Emerson Garcia, que publicou artigo “O uso da Dialética Erística na argumentação jurídica: o que se faz e não se deveria fazer” (http://www.direitodoestado.com.br/colunistas/emerson-garcia/o-uso-da-dialetica-eristica-na-argumentacao-juridicaoque-se-fazenao-se-deveria-fazer). Ele esclarece que “Dialética erística, ou simplesmente erística, é a técnica argumentativa utilizada para vencer um debate a qualquer custo. Para que o fim seja alcançado, a ética fica de lado e a desonestidade intelectual avança sem pudor.”

Mas Olavo de Carvalho, que faz a introdução crítica à Dialética de Schopenhauer (Como vencer um debate sem precisar ter razão), já alertava para isso já nas primeiras linhas do § 1: “O que o leitor tem nas mãos é um tratado de patifaria intelectual, não para uso dos patifes e sim de suas possíveis vítimas, isto é, nós, o povo. (...). Ensina a reconhecer e a desmontar as artimanhas do debatedor capcioso – o sujeitinho que, nada tendo a objetar seriamente às razões do adversário, procura apenas desmoralizá-lo ou confundir a plateia para fazer com que o verdadeiro pareça falso e o falso verdadeiro.”

Veja as avaliações de pessoas que sabem mais do que eu: a erística é prática onde a desonestidade intelectual avança sem pudor e é um tratado de patifaria intelectual.

Pois é.

Para quem se dispõe a participar de um debate plantando artimanhas, truques, simulações e dissimulações para “deixar o oponente desequilibrado”, bem como “plantar” erros de português para descobrir “insegurança, via excessivo reforço negativo do superego do mecanismo de defesa neurótico”, convenhamos, o resultado é inverso: esse “esforço” só mostra traços de um caráter muito peculiar.

Se a finalidade é entrar em uma briga com ética, há uma evidente contradição de tua. Plantar armadilhas e partir para o ataque pessoal são próprios da “ética da malandragem”. Essa deve ser repudiada veementemente. Jamais esperaria que um texto fosse publicado no Jusbrasil com tais intenções ardilosas e truques desleais usados de modo capcioso. E chamar isso de “debate de alto nível” é medonho, para não dizer outra coisa.

Acho muito estranha essa fixação em categorizar pessoas em estados psicológicos e, também, em medir tamanho de textos. Muito estranho, deveras.

Meu caro, os erros gramaticais, como usar indiscriminadamente as maiúsculas, colocar vírgula entre o sujeito e o verbo, escrever “maqueia” ao invés de maquia não são “armadilhas” para identificar fraquezas psicológicas, como pretendes fazer crer. São apenas resultados de uma formação defeituosa na língua portuguesa. Nada mais do que isso. Travesti-los de truques para desnudar adversários é má ideia.

Por falar nisso, tuas teses sobre Moro já estão espancadas pelo que foi dito na tal reunião ministerial que vem sendo noticiada.

Ah, sim. Não fiquei “desequilibrado”, não, viu? Fiquei foi espantado com a dependência de “aforismos”.

Aliás, no seu artigo, o senhor disse que não enumerou uma quarta hipótese para a conduta de Moro porque “não teve saco” para pensar, num linguajar bem vulgar. Talvez essa falta de disposição para pensar explique o uso recorrente de aforismos e uma certa ojeriza a escritos longos. Afinal, os aforismos, pela sua própria natureza, são expressões breves e concisas sobre pensamentos morais. De fato, dispensam maiores raciocínios e argumentações.

E a propósito de textos longos, o professor Lênio Streck, em sua coluna do dia 14/05/2020, retoma suas críticas ao uso de robôs e Inteligência Artificial no Direito. No contexto de suas costumeiras e acertadas críticas ao ensino jurídico, ele diz:

“Isso é a mesma coisa do que essa “novidades” (para mim, bobagens) do tipo “textos devem ser curtinhos, máximo dez linhas”, e palestras só devem ter 18 minutos. Tenho que rolar de rir. Por que será que as pessoas ficam uma hora e meia assistindo a um filme e só conseguem ficar 18 minutos prestando atenção a um palestrante? Será que o problema não é o palestrante? Entenderam?”

Em outro trecho:

“Antigamente os livros mais vendidos eram os ementários. Agora os sites resumem os acórdãos...porque a malta não lê mais do que dez linhas. Eis o grande avanço (ironia).”

Pois é. Tem gente que não gosta de ler mais do que dez linhas. Esse comentário possui 765 palavras. É muito para o senhor?

Enfim, acho muito curioso que o senhor, ingenuamente, venha a público confessar o uso de artimanhas sorrateiras e capciosas em um debate de ideias e ainda se vangloriar disso. Notável!

Como a sua clientela avaliará isso, Doutor? continuar lendo